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    Cúpulas militar e da Polícia Federal estão com Bolsonaro


    Leonardo Cavalcanti
    e Renato Souza

    Se a cúpula das Forças Armadas estava dividida no primeiro turno em relação ao grande leque de candidatos à Presidência, no segundo, o apoio político já está mais do que consolidado. O candidato Jair Bolsonaro, do PSL, domina a preferência dos oficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica. No primeiro turno, outros candidatos como Ciro Gomes, Alvaro Dias, Amoêdo e Henrique Meirelles eram vistos como candidatos que atenderiam os interesses da Defesa caso fossem eleitos.

    O chefe do Executivo acumula a função de comandante supremo das três forças. O Correio apurou a preferência por candidato entre os órgãos do Poder Público que são responsáveis por processos e decisões que marcam a vida dos brasileiros.

    Embora instituições como a Polícia Federal e o Ministério Público registrem manifestações mais contidas ou internas, nas Forças Armadas, militares do alto escalão usam as redes sociais para indicar apoio ao capitão reformado.

    Nos perfis, vários generais, almirantes e brigadeiros passaram a usar uma borda amarela nas fotos do perfil. As mudanças ocorreram após a votação do último domingo e são usadas como uma maneira de manifestação pelos militares da ativa sem violar a legislação que proíbe qualquer manifestação relacionada a conjuntura política do país, muito menos apoio explícito a qualquer candidato.

    Um integrante da cúpula das Forças Armadas, que prefere manter sua identidade em sigilo, informa que dentro das organizações militares o apoio ao candidato do PSL é nítido. “Bolsonaro nunca foi o candidato dos nossos sonhos. Mas agora, de fato, existe um consenso de apoio ao nome dele”, disse. Atualmente, o Brasil tem 316 oficiais-generais, que compõem o comando de uma tropa com 359 mil integrantes, somados o efetivo das três forças.

    Apesar da impossibilidade de falar com esse contingente pessoalmente, alguns generais possuem até 100 mil seguidores em diversas redes sociais, o que serve para potencializar qualquer tipo de apoio. Um dos motivos apontados para explicar a rejeição de Haddad entre os oficiais são as frequentes visitas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. Mas existe o reconhecimento de que a gestão Lula foi a que mais equipou e deu protagonismo às instituições do setor bélico. Um exemplo é a missão do Brasil no Haiti, junto às tropas das Nações Unidas.

    A força política dos militares ficou clara já no primeiro turno. Em todo o país, pelo menos 79 nomes da categoria foram eleitos para cargos federais e estaduais. Duas vagas no Senado e 22 na Câmara serão ocupadas por militares.

    Esquerda

    Dentro da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília e nas demais unidades do Ministério Público Federal nos estados, o clima é de divisão, mas com tendência de maior apoio ao candidato Fernando Haddad. Uma parte relevante dos procuradores apoiam a eleição do petista por conta da preocupação com pautas sociais.

    Haddad é visto como um perfil mais engajado com esse tipo de tema. No entanto, entre os críticos, existem as alegações de que ele sofreria influência do ex-presidente Lula, que já entoou discursos públicos contra procuradores e as investigações conduzidas pelo órgão.
    Bolsonaro tem um apoio mais tímido, mas importante entre procuradores e servidores do MPF. A preocupação é com a Operação Lava-Jato, que é vista como fundamental para dar seguimento ao trabalho de combate à corrupção. Independentemente do lado, existe a preocupação unânime entre os procuradores sobre a escolha do próximo procurador-geral da República (PGR), no qual a escolha é de competência do presidente da República.

    A partir dos primeiros dias de janeiro, ocorrerá um esforço concentrado para garantir que o próximo presidente escolha um nome apontado pela lista tríplice votada pela categoria.

    Segurança pública

    Entre os agentes, dirigentes e delegados da Polícia Federal, Bolsonaro tem enfrentado um cenário de ascensão nos últimos dias. Ele é visto como alguém que pode ampliar os recursos para a instituição e criar uma gestão centrada no combate à criminalidade e à corrupção. Uma fonte ligada à cúpula da PF disse ao Correio que dois motivos embasam a aceitação do capitão na corporação.

     “O filho dele é escrivão da PF, integra a carreira, e por isso há uma expectativa de que ele conheça os problemas que afetam o setor do ponto de vista dos servidores do órgão e possa fazer algo para mudar o cenário, o modelo de segurança pública”, disse.

    O outro motivo é que Bolsonaro já se comprometeu, de acordo com a fonte, a trabalhar para que a Reforma da Previdência considere direitos conquistados pelos profissionais de segurança pública, que desempenham atividade de risco.


    Fonte: Defesanet

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